quarta-feira, 4 de abril de 2007

O dia em que Bento XVI elogiou Karl Marx

O cientista e filósofo alemão Karl Marx ''forneceu uma imagem clara do homem vitimado por bandidos''. Quem faz o elogio não é nenhum marxista, mas o papa Bento XVI, em trecho de Jesus de Nazaré. O livro será apresentado no dia 13 e colocado à venda no dia 16 de abril, quando o papa completará 80 anos.

Uma parte do texto foi divulgada nesta quarta-feira (4) pelo jornal italiano Corriere della Sera, do mesmo grupo da editora Rizzoli, que está lançando o livro. O papa tem sido fortemente criticado pelos religiosos ligados à Teologia da Libertação, após a censura imposta pelo Vaticano ao teólogo Jon Sobrino,

No trecho sobre Marx, Bento XVI cita a parábola do bom samaritano, do Novo Testamento, como exemplo de amor ao próximo. E cita o filósofo alemão quando descreve o homem como vítima de exploração e opressão: ''O homem, no curso de sua história, foi alienado, torturado, explorado. A grande massa da humanidade viveu quase sempre na opressão. Por outro lado, os opressores são uma degradação do homem''.

''Karl Marx descreveu de maneira drástica a 'alienação' do homem. Mesmo que não tenha atingido a verdadeira profundidade da alienação — porque raciocinava apenas em âmbito material —, forneceu uma imagem clara do homem vitimado por bandidos'', arrisca o texto de Bento XVI.

Os ''bandidos'', no caso, são em referência a personagens da parábola do bom samaritano, tema de um dos dez capítulos do livro. Na parábola, um homem é assaltado, agredido e deixado na beira da estrada. Ele não é ajudado por seus compatriotas, mas socorrido por um estrangeiro.

Bento XVI deixa claro que o tema central do texto, é a necessidade de amar o próximo, mesmo que ele seja ''estrangeiro'', tendo como exemplo a figura de Jesus. O pontífice escreve que a atualidade desta parábola é ''óbvia se for aplicada à sociedade globalizada'' e compara a vítima ajudada pelo samaritano com a África.

''Os povos da África, furtados e saqueados nos olham de perto, assim podemos ver quanto estão próximos de nós e quanto nosso estilo de vida e nossa história os despiu e continua a despir, sobretudo quanto os ferimos espiritualmente'', escreve o papa.

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